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“Meu quarto mandato é para fazer o Brasil dar um salto no desenvolvimento”, diz Lula em entrevista. Leia e Assista:

Em entrevista a canais progressistas nesta terça-feira (14), o presidente defendeu a reestatização da BR Distribuidora, criticou Trump e disse que o povo merece muito mais do que tem.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (14), em entrevista à TV 247, em parceria com a Revista Fórum e o DCM, que impedir retrocessos é parte de sua responsabilidade política. Em suas palavras, “é um compromisso moral, ético – e eu diria, até cristão – não permitir que os fascistas voltem a governar este país”, associando sua eventual candidatura à proteção das instituições democráticas.

COMPROMISSO COM O PAÍS

Lula também disse estar preparado para seguir atuando politicamente. “Me sinto fisicamente muito bem, politicamente muito bem. Estou com a saúde muito bem-preparada e motivado”, afirmou, acrescentando que seu compromisso é com o país e com a população.

“Não se trata de querer um quarto mandato. As circunstâncias políticas e o momento eleitoral que você vive decidem”, reforçando que sua trajetória e o legado de seus governos pesam na avaliação sobre 2026.

Lula também indicou que um eventual novo mandato teria metas mais ambiciosas. “Eu jamais concorreria a um mandato para fazer as coisas darem errado. Meu quarto mandato é para fazer esse país dar um salto definitivo e se transformar em um país desenvolvido”, declarou.

Ele afirmou que “democracia, para quem lutou para defendê-la, para derrubar o regime militar, custou muito caro a muita gente”, citando avanços e rupturas desde a eleição de Tancredo Neves até o impeachment de Dilma Rousseff. Ele afirmou que, após sucessos e retrocessos, o país não pode permitir novo avanço de forças autoritárias.

O chefe do Executivo afirmou que o mercado financeiro não apoia porque ele quer o desenvolvimento e a melhoria do bem estar do povo. “O mercado sempre vai querer outro candidato”, argumentando que interesses econômicos tendem a divergir das políticas de inclusão social defendidas por seu governo.

SALÁRIO MELHOR

O presidente Lula disse que sua atuação é guiada pelo cotidiano das famílias brasileiras. Ele afirmou ainda que suas decisões são guiadas pela realidade da população. “Eu converso com as pessoas para saber o seguinte: ‘como está sua vida? Seu salário? Como você gasta seu dinheiro?’”, declarou.

“Se tem uma coisa que eu aprendi na vida é saber o sentimento do povo brasileiro”, afirmou, citando o aumento das despesas domésticas. Ele também anunciou que o governo prepara novas medidas para enfrentar o endividamento.

Além disso, ao falar da política de Trump, Lula criticou a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele afirmou que o presidente norte-americano adota uma postura voltada a agradar o público interno ao reforçar a imagem dos Estados Unidos como uma potência superior, recorrendo a ameaças e à lógica do temor para projetar liderança.

Segundo Lula, esse tipo de retórica não reflete a força real do país, construída ao longo de décadas por sua economia, tecnologia e pela capacidade de trabalho da população. Ele relatou uma conversa com o líder norte-americano. “Eu disse para o Trump: ‘a gente tem que escolher se a gente quer ser temido ou amado’”, disse. Lula defendeu o diálogo como base da liderança global. “Ninguém precisa ter medo de ninguém […] minha guerra é no argumento”, declarou.

Ao mesmo tempo, Lula criticou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmando que o líder israelense atua apenas para se manter no poder. Lula destacou ainda que suas críticas não são ao povo israelense, mas ao atual governo, que, segundo ele, age com complacência dos Estados Unidos e impede avanços em um processo de paz no Oriente Médio.

VOLTAR A CRESCER

O presidente destacou que o Brasil voltou a crescer após seu retorno ao governo. “A economia brasileira não crescia acima de 3% desde que eu deixei a Presidência em 2010. Só voltou a crescer acima de 3% quando voltei em 2023”, disse.

Ele destacou resultados na indústria, no comércio exterior e no crédito. “Abrimos 518 novos mercados em três anos e meio para produtos brasileiros. O Brasil voltou a ser levado a sério no mundo inteiro”, afirmou.

Segundo Lula, seu governo pretende ampliar investimentos sociais. “Nós vamos fazer muito mais investimento em política de inclusão social, porque o povo brasileiro merece ter mais do que tem”, disse. Lula criticou privatizações realizadas nos últimos anos, especialmente no setor energético. “Na privatização da BR […] e a mesma coisa vale para a Eletrobras. São dois escândalos”, afirmou.

Ele indicou que pretende ampliar a presença do Estado nesses setores. “Ainda sonho que a gente vai ter uma empresa distribuidora de gás e de combustível”, declarou. Ele também relacionou o tema ao crime organizado. “Tem muita lavagem de dinheiro nesse mundo. E se a gente quiser combater o crime organizado, a gente vai ter que atacar todos os flancos”, disse.

MAIS INTELIGÊNCIA

O presidente afirmou que pretende criar o Ministério da Segurança Pública, caso seja aprovada a PEC da Segurança Pública no Congresso. “Na hora que for aprovada a PEC […] esse país vai ter segurança pública com Polícia Federal com mais gente e mais inteligência”, disse.

Sobre corrupção, Lula afirmou que investigações tornam os crimes mais visíveis. “Quando você apura a corrupção […] aparece a corrupção. Aparece no governo de quem combate a corrupção”, declarou. Lula criticou a atuação de parte da imprensa em episódios passados, como a cobertura da Lava Jato. “Não posso permitir que eles achem que eu esqueci o que eles fizeram”, afirmou.

Ele citou o episódio de um PowerPoint exibido pela Globo e relatou ter cobrado explicações. “Tive uma conversa com o dirigente da Globo, para mostrar a irresponsabilidade daquele PowerPoint”, disse. Apesar das críticas, o presidente defendeu liberdade de imprensa, com responsabilidade. “Seja livre. Fale mal, mas fale a verdade. Não invente história”, declarou.

Com Informações de Hora do Povo


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