O Rio Grande do Sul e a comunicação popular perderam uma de suas vozes mais autênticas e combativas. A partida de Zé Martins, em São Leopoldo, deixa um vazio imenso na música militante, mas consolida um legado imperecível na história das lutas sociais do nosso estado. Zé não era apenas um músico; ele era a própria crônica cantada da esperança latino-americana.
Quem viveu a efervescência política da década de 1980 em São Leopoldo certamente guarda na memória as atividades do Partido dos Trabalhadores que ganhavam alma através do canto.
Era impossível não se emocionar e caminhar com mais firmeza quando Zé Martins, Dão Real e Protásio Prates uniam suas vozes. Ali, naquela efervescência, consolidava-se também a essência do Conjunto Unamérica, projeto fundamental que marcou época ao levar a música militante e a identidade latino-americana para os palcos, praças, sindicatos e mobilizações populares de todo o estado. Juntos, eles transformavam a política em arte e a arte em ferramenta viva de conscientização.

Anos mais tarde, a vida e a militância nos reuniram novamente em outro marco histórico: o lançamento da versão gaúcha do Brasil de Fato, um projeto do qual tive a honra de participar de perto. Naquele momento de fundação e de disputa de narrativas, precisávamos de um hino que traduzisse a nossa missão.
Zé Martins não apenas compreendeu o chamado, como o eternizou. Ele foi o compositor e o intérprete de “Jornalismo de Verdade”, a música-hino do Brasil de Fato RS. Com sua melodia e letra certeiras — carregando a bagagem de quem já trazia a escola da canção de protesto e o DNA do Unamérica —, Zé traduziu perfeitamente o espírito do jornal: a comunicação como um direito humano, feita do povo para o povo, sem amarras com os donos do poder.
Como bem destacaram as homenagens do Corbari e dos companheiros do Brasil de Fato RS e do Instituto Padre Josimo — trincheiras que ele sempre defendeu —, Zé Martins parte, mas sua voz continua ecoando em cada ocupação, em cada assentamento, em cada redação popular e em cada coração que ainda teima em lutar por uma América Latina livre e justa.
E o Zé Martins, ah, ele agora tá lá com o Frei Sérgio Görgen cantando e olhando por nós que seguimos por aqui travando o combate permanente por uma Sociedade Justa e Igualitária.
Minha solidariedade a Katia Marko, companheira do Zé Martins e eximia editora desta grande ferramenta da Classe Trabalhadora, que é o Brasil de Fato, que o Zé Martins tão bem soube expressar com seu canto “Jornalismode Verdade…É Brasil de Fato.
Zé Martins, presente! Hoje e sempre.
Assista o Vídeo e ouça o Hino do Brasil do Fato RS composto pelo Zé Martins
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