Eleições/política

Só mais um mês (Por Selvino Heck)

Falta 1 mês para chegarmos em 4 de outubro. Será um mês trepidante. É difícil saber hoje, na primeira semana de setembro de 2026, como estarão o Brasil e o mundo no início de outubro.

As eleições se aproximam rapidamente. Nestas quatro semanas que faltam até 4 de outubro, é preciso estar na rua de manhã, tarde, noite, madrugada, conversando com as pessoas,  visitando comunidades, agitando bandeiras. Sem parar. O descanso virá depois, talvez só em novembro, se houver segundo turno lá, Brasil, e/ou cá, Rio Grande do Sul.

É muito pouco tempo para conversar com eleitoras e eleitores, visitar quem precisa ser visitado, apresentar propostas e discutir o futuro do Rio Grande do Sul e do Brasil, e de como serão os próximos 4 anos.

O resultado eleitoral de outubro é fundamental para os próximos anos: se haverá soberania popular e democracia ou não, mais direitos para trabalhadoras e trabalhadores, igualdade social e econômica ou não, cuidado com o meio ambiente e com a Casa Comum.

Os tempos estão difíceis em quase todos os sentidos. A violência, especialmente com o crescimento dos feminicídios, está presente no cotidiano das famílias e comunidades. A paz está cada dia mais ameaçada no mundo, com as várias guerras que não acabam. A crise climática está presente de muitas formas, e de forma crescente, em todos os continentes. A democracia corre risco em muitos países, a soberania está ameaçada, especialmente com as ações do Império Norte.

O mundo vive uma crise civilizatória da qual não se enxerga saída ou fim imediatos. Atinge especialmente as populações mais pobres, as periferias, os mais pobres entre os pobres. 

Eleições não mudam o mundo. Mas ocupar os espaços institucionais é muito importante, desde que a instituição não substitua o movimento. Quem deve dar a linha da instituição é o movimento, o sempre lembrado ´pé dentro, pé fora´, assim chamado e  anunciado por Frei Betto no início dos anos 2000, com a formulação e execução do revolucionário Programa Fome Zero, com a construção, baseada na educação popular de Paulo Freire, da RECID, Rede de Educação, entre outras muitas iniciativas de políticas públicas com participação social e popular.

No atual contexto brasileiro e mundial, as eleições de outubro adquirem relevância especial. Seu resultado pode determinar ou indicar se há futuro e esperança. Mas, ineditamente,  a 30 dias de sua realização, é difícil, senão impossível, saber o resultado das eleições de 2026. Há muitos elementos imprevisíveis. Sequer é possível saber como estarão o Brasil e o mundo no início de outubro. É decisivo, neste quadro instável, muito trabalho na base popular, muita conversa, muito corpo a corpo. E acreditar que é possível construir um caminho de paz, de fraternidade e de esperança.

Não há, pois, tempo a perder. Serão 30 dias fundamentais para o Brasil, a América Latina, o Caribe e mesmo para o mundo, já que o Brasil e seu governo cumprem hoje um papel muito importante no mundo todo.

Rua, portanto, manhã, tarde, noite, madrugada. Na boa luta, com fé e coragem, ESPERANÇAR.

PS. Este artigo estava escrito, quando a crise política bateu com toda força, especialmente a partir do STF, com respingos mil para todos os lados. E deixando a conjuntura eleitoral ainda mais indefinida e incerta, a 30 dias do 4 de outubro. Onde vamos parar, onde o Brasil vai parar? 

Selvino Heck

 Deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990)

Em quatro de setembro de dois mil e vinte e seis


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