Eleições

Confissão? Deputado compara vitória do bolsonarismo a ascensão de Hitler e do Nazismo na Alemanha

A  declaração do deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL-PB) elogiando a força do seu grupo político acabou escancarando uma comparação reveladora.

Ao citar a ascensão de Adolf Hitler e o sentimento de “revolta” que levou os alemães ao extremismo nos anos 1930 para tentar justificar o avanço do seu próprio movimento, o parlamentar entregou de bandeja exatamente o que muitos analistas — e a crítica mais atenta — vêm apontando há tempos: a semelhança nos métodos e no discurso.

Não dá para tratar isso como um simples “deslize”. O raciocínio usado por ele só confirma que a engrenagem por trás dessa política é rigorosamente a mesma.

Usar a raiva como combustível político

A desculpa do deputado foi que o povo estava “sendo humilhado” e que, por isso, se radicalizou.

Foi exatamente essa a estratégia do nazismo na Alemanha do entre guerras: pegar a insatisfação social, inventar culpados e alimentar o ódio contra as instituições para tomar o poder.

A extrema-direita atual usa a mesma cartilha: se faz de vítima do “sistema”, transforma a imprensa, o Judiciário e a oposição em inimigos mortais e usa o ressentimento do eleitor para inflamar a base.

Quando um dos deputados mais votados dessa ala usa o nazismo como exemplo de mobilização, ele só está admitindo qual é a verdadeira referência.

O que o nazismo realmente fez no mundo

Usar a Alemanha nazista como comparativo exige lembrar, sem panos quentes, o tamanho da tragédia que essa ideologia causou:

Destruiu a democracia por dentro: Hitler não tomou o poder com um golpe de estado imediato; ele usou as eleições e as brechas do sistema para se eleger e, depois, destruiu as leis, calou a imprensa e prendeu quem pensava diferente.

Holocausto: A ideia de que existia um “povo escolhido” e um “inimigo a ser destruído” terminou no assassinato cruel e industrial de 6 milhões de judeus, além de ciganos, pessoas com deficiência, homossexuais e opositores políticos.

Uma guerra catastrófica: O delírio militarista do regime nazista provocou a Segunda Guerra Mundial na Europa, deixando mais de 70 milhões de mortos e um continente inteiro destruído.

    O perigo de brincar com o extremismo

    Brincar com a memória histórica ou tentar normalizar o que aconteceu na Alemanha dos anos 30 é extremamente perigoso.

    As democracias não acabam de uma hora para a outra; elas morrem aos poucos, à medida que a sociedade se acostuma com discursos de ódio, intolerância e desrespeito às regras do jogo.

    Quando um parlamentar admite — mesmo sem querer — que a dinâmica do seu movimento lembra a ascensão de um dos regimes mais sombrios da história, o sinal de alerta devia acender para todo mundo.


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