
A escolha de Roni Miranda Vieira para chefiar a Secretaria Estadual de Educação do Rio Grande do Sul (Seduc-RS) consolida um plano deliberado de mercantilização e autoritarismo nas escolas públicas gaúchas. Importado da gestão de Ratinho Júnior no Paraná, esse modelo combina dois pilares devastadores: a militarização do ambiente pedagógico e a transferência em massa de verbas públicas para os cofres da iniciativa privada.
A Militarização na Prática: Repressão, Violência e Ilusão de Segurança
O discurso oficial vende as escolas cívico-militares como sinônimo de “disciplina” e “qualidade”. No Paraná, sob a batuta de Roni Miranda, o resultado real foi a corrosão do ambiente escolar e a proliferação de episódios graves de truculência.
Casos concretos demonstram as consequências desse modelo:
Apologia à violência e doutrinação militar: No Colégio Cívico-Militar João Turin, em Curitiba, estudantes foram filmados marchando na quadra entoando cantos que pregavam a violência urbana (“Entrar na favela e deixar corpo no chão”), sob a supervisão direta de monitores militares. O espaço pedagógico, que deveria formar para a cidadania e o respeito aos Direitos Humanos, foi transformado em centro de formação truculenta.
Agressões e ameaças com armas: No Colégio Cívico-Militar Jardim Maracanã, em Toledo, um monitor militar sacou uma arma de fogo e apontou contra a cabeça de uma servidora pública de 65 anos dentro do ambiente escolar, na presença de alunos.
Exclusão e desvio de função: Alunos neurodivergentes ou em situação de vulnerabilidade passam a ser vistos como “indisciplinados” e acabam empurrados para fora da rede. Enquanto isso, recursos escassos da educação são drenados para pagar gratificações a militares aposentados, em vez de investir em salários de professores e infraestrutura.
A Sangria dos Recursos Públicos: Do Paraná ao Projeto de Eduardo Leite no RS
A militarização funciona como cortina de fumaça para o verdadeiro cerne desse projeto: a privatização da gestão escolar e o desvio da verba pública para o setor corporativo.
No Paraná, a implementação do programa “Parceiro da Escola” abriu portas para que conglomerados privados assumissem a gestão de unidades públicas. O Estado passou a repassar valores expressivos por aluno diretamente para empresas privadas administrarem o cotidiano escolar. O resultado foi um rastro de denúncias de descumprimento de metas, precarização de vínculos de professores e questionamentos em órgãos de controle por falta de transparência licitatória.
No Rio Grande do Sul, esse caminho já vinha sendo desenhado por Eduardo Leite. O leilão de Parcerias Público-Privadas (PPPs) direcionado inicialmente a 98 escolas públicas estaduais abriu o precedente para transferir a construção, a manutenção e serviços essenciais da rede pública para concessionárias privadas ao longo de décadas.
A chegada de Roni Miranda — declaradamente entusiasta da mercantilização do ensino público — tem como objetivo explícito acelerar e expandir essa agenda para além das 98 escolas iniciais.
O Futuro em Risco
A combinação entre a repressão cívico-militar e a terceirização via PPPs desmonta a escola enquanto patrimônio social e espaço de transformação. Em vez de aportar investimentos diretos para valorizar o magistério e recuperar estruturas físicas degradadas, o governo estadual opta por financiar o lucro privado com o dinheiro dos impostos da população.
A resistência de educadores, estudantes e da comunidade gaúcha será decisiva para deter a transformação da educação pública em mercadoria e impedir o avanço de uma política autoritária nas salas de aula.
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