
A eleição mal acabou e o PT já ligou o modo “DR nacional”. Toda a poeira que vinha sendo varrida para debaixo do tapete dentro da Direção Nacional apareceu e vira um barraco público… no Estadão, em matéria de hoje.
A bronca principal envolve o Edinho Silva (presidente do partido) e o Washington Quaquá (prefeito de Maricá e vice do PT).
O Edinho quer botar pra andar de vez os processos contra o Quaquá na Comissão de Ética — tem papo lá parado desde 2021! A ideia do Edinho é resolver no amor com uma “saída negociada”, mas se o Quaquá bater o pé, vai ser “divórcio litigioso” nas palavras do Próprio Edinho.
Até porque, o plano é passar o PT a limpo daqui pra frente.
Essa conversa de reorganizar a casa não veio do nada: foi acertada pelo Edinho numa reunião de três horas com o próprio Lula, logo depois de o presidente fechar o segundo turno numa disputa arrochada contra o senador Flávio Bolsonaro. O Lula mandatou a missão: o PT precisa voltar a ouvir a voz das ruas e trazer a garotada jovem pra junto. Pra Edinho, o partido não pode virar um balcão de negócios, um “amontoado de projetos pessoais” usado só pra erguer patrimônio próprio e enriquecer.
A maior crítica do Edinho é que o PT acabou virando um mero “ajuntamento de mandatos parlamentares”. Na prática, os deputados e senadores ganharam muito mais força e poder de decisão do que a própria direção e as instâncias do partido. Com a dinheirama que entra via emendas parlamentares e fundo eleitoral, os mandatos viraram as grandes fontes de poder individual. Com isso, o partido foi se adaptando ao próprio sistema que combatia, deixando de lado a construção de um verdadeiro projeto de nação pra focar em interesses de eleição em eleição.
Do outro lado da rinha, o Quaquá — que lidera a chamada “CNB do B” ao lado da tesoureira Gleide Andrade e de outros caciques como Jilmar Tatto, Beto Faro, Humberto Costa e José Guimarães — não deixou barato. O estopim entre os dois veio da própria campanha: Quaquá detonou Edinho publicamente dizendo que, enquanto a oposição falava de preço do mercado na vida real, o PT ficava viajando na maionese discursando sobre “terras raras”.
Além disso, pesa contra o Quaquá o fato de ele ter defendido os irmãos Brazão no caso Marielle, ter declarado que a polícia “só matou vagabundo” na Operação Contenção no Rio e ainda ter publicado foto sorridente abraçado ao Eduardo Pazuello.
Diante da ameaça de ser limpo da sigla, Quaquá rebateu dizendo que Edinho tá com medo de perder a cadeira de presidente, querendo transformar o PT num partido “fascista, autoritário e stalinista”, e aproveitou pra jogar a suspeita pro outro lado, cobrando explicações sobre como Edinho usou a influência e a grana partidária na campanha.
A briga também escancarou as urnas: Lula perdeu em Maricá (base do Quaquá) para Flávio Bolsonaro. Já em Araraquara (curral de Edinho), Lula perdeu no primeiro turno e só virou no segundo por uma diferença apertada de pouco mais de 5 mil votos.
O grupo de Quaquá reclama inclusive que a campanha de Edinho levantou R$ 5 milhões de empresários pra Araraquara enquanto faltava panfleto e santinho do Lula nos estados.
Por fim, lavar toda essa roupa suja em manchete de jornal e na mídia tradicional só serve pra dar munição pro adversário.
A grande mídia não tá preocupada com a classe trabalhadora — ela vai pegar esse bafafá, montar a própria narrativa e tentar queimar o PT.
Hora de abrir o calendário para debater o Balanço das Eleições e a necessária renovação do PT que o Lula pediu pro Edinho iniciar.
Ou vamos seguir lavando roupa suja na midia ao invés de renovar o vestuário?
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