Mundo/política

Erdogan purga juízes, prende militares e ataca Obama

O presidente mandou prender quase três mil militares e afastar 2745 juízes ontem, depois da tentativa de golpe de Estado

Comentário do Blogueiro: Erdogan, um líder polêmico convocou o povo turco e o povo foi as ruas contra o Golpe. No Brasil milhões foram as ruas em centenas, talvez milhares de manifestações, durante os últimos meses, sem a convocação de uma liderança sequer. Faltou a voz forte de uma liderança para manter o povo nas ruas para erradicar o golpe contra Dilma e a democracia. As lideranças por aqui preferem o conforto de esperar pela próxima eleição no mesmo sistema eleitoral corrupto que fez eleger o Congresso mais retrógrado até mesmo que a época da ditadura militar. é claro que não dá pra comparar Erdogan, um sujeito bastante comprometido com o Império, pelo menos até então, mas eleito democraticamente, com Lula, a única grande liderança nacional que sobrevive ao ataque golpista oriundo do Judiciário, Ministério Público, Polícia Federal e respaldado pelo corrupto congresso brasileiro. Mas não há como não comparar o fato de que nos dois casos as massas populares foram as ruas para se contrapor ao golpe. Lá o líder convocou. Aqui o líder preferiu caminhar a trilha da pacificação eleitoral ao invés de propor o fundamental debate sobre a eleição de uma Constituinte Exclusiva e Soberana para fazer a Reforma Política. O povo que foi as ruas no Brasil, o foi contra as práticas políticas originadas do corrupto sistema eleitoral brasileiro. Queriam e com certeza ainda querem uma alternativa. Se ela não vier pela ampla discussão popular e pela consequente construção de uma Constituinte Exclusiva e Soberana, o que teremos será outro arremedo de reforma, feito pelo mesmo congresso eivado de corruptos. O que nos sobra, diferente da Turquia, onde Erdogan mostrou sua força contra a tentativa de um golpe dado através do judiciário, com o apoio de outras corporações, é ficarmos submetidos ao atual governo golpista corrupto ou a uma ditadura do judiciário e da plutocracia estatal, comandado pelas diatribes de um juiz de instância inferior. O Brasil tem povo que foi as ruas, sabe o que não quer, o seja, corrupção na política, mas não tem ninguém dizendo a este mesmo povo que há alternativas para além do que lhe oferecem. O braço esquerdo da política brasileira parece estar imobilizado. Fazer o que? Olhar o que outros povos e líderes fazem e tomar as lições necessárias. 

Vai matéria do Diário de Notícias de Portugal, sobre a Turquia:

Turquia

O presidente mandou prender quase três mil militares e afastar 2745 juízes ontem, depois da tentativa de golpe de Estado

Qualquer país que fique ao lado do clérigo muçulmano Fethullah Gülen será considerado um inimigo da Turquia, defendeu o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim. As autoridades acusam o ex-aliado do presidente Recep Tayyip Erdogan, que se transformou num dos principais críticos, de ser o responsável pela tentativa de golpe que deixou 265 mortos (entre os quais 104 revoltosos) e levou à detenção de 2839 militares. Gülen negou a acusação, mas o seu autoexílio nos EUA (vive na Pensilvânia desde 1999) ameaça agora as relações entre Washington e Ancara, que controlam os dois maiores exércitos da NATO.

Erdogan pediu ontem ao presidente dos EUA, Barack Obama, que ordene a detenção de Güllen ou a deportação, dizendo que se os dois países são “verdadeiros aliados” então ele irá cooperar. “Obviamente convidamos o governo da Turquia, como fazemos sempre, a apresentar-nos quaisquer provas legítimas que resistam ao escrutínio e os EUA irão aceitá-las e olhá-las e julgá-las apropriadamente”, dissera mais cedo o secretário de Estado norte-americano, John Kerry. Washington disse esperar “continuar a cooperação”com Ancara, parceiro na luta contra o Estado Islâmico, e indicou que estava a trabalhar com os turcos para retomar as operações aéreas na base área de Incirlik, depois de o governo ter fechado o espaço aéreo.

A tentativa de golpe ainda não tinha sido frustrada quando começaram as acusações de que os responsáveis eram “gulenistas”. Gülen, de 75 anos, lidera um poderoso movimento na Turquia, que conta com uma vasta rede de escolas, ONG e empresas com o nome Hizmet (serviço, em turco), mantendo grande influência nos media, na polícia e na magistratura do país. Erdogan acusa-o de ter estado por detrás das investigações de corrupção de 2014, que envolveram vários dos seus aliados e ameaçaram o seu governo, considerando-o um “terrorista”. Ontem, segundo os media turcos, 2745 juízes foram afastados dos cargos. Em comunicado, Gülen negou ter estado por detrás da tentativa de golpe: “Sofri vários golpes militares ao longo dos últimos 50 anos e considero por isso particularmente insultuoso ser acusado de ter qualquer ligação com esta tentativa.”

Povo saiu às ruas

Era meia-noite na Turquia (21.00 em Lisboa) quando o primeiro-ministro veio a público dizer que estava em curso uma tentativa de golpe militar, com os revoltosos a controlar as pontes sobre o Bósforo e a sobrevoar a capital Ancara. Os golpistas garantiam ter tomado o controlo do país para “assegurar e restaurar a ordem constitucional, a democracia, os direitos humanos e as liberdades e deixar que a supremacia da lei prevaleça”. A Turquia seria governada por um “conselho de paz”.

Mas Erdogan, de férias no sul da Turquia, apressou-se a reagir e a apelar ao povo que saísse para as ruas em defesa do governo. Os turcos responderam aos apelos do presidente e ontem, com a situação já controlada, voltaram a sair à ruas a mostrar o seu apoio. Binali Yildirim disse que a Turquia estava a pensar reinstalar a “pena de morte” para punir os responsáveis – que Erdogan disse serem uma “minoria”. Quase três mil pessoas foram detidas nesta purga, incluindo pelo menos dois comandantes e um membro do Tribunal Constitucional. Oito pessoas, entre os quais quatro civis, fugiram de helicóptero e aterraram na Grécia, tendo pedido asilo.

O presidente dos EUA, Barack Obama, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente da Comissão Europeia, Donald Tusk (como os partidos políticos turcos, incluindo os curdos) condenaram o golpe. A comunidade internacional saiu também em defesa do governo democraticamente eleito e pedindo que os golpistas sejam tratados dentro do Estado de direito. A queda de Erdogan, primeiro-ministro desde 2003 e presidente desde 2014, teria um impacto profundo na região.

 

Um pensamento sobre “Erdogan purga juízes, prende militares e ataca Obama

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