Lava Jato

Comparato: condenação de Lula mostra obediência total do Brasil aos Estados Unidos

Para jurista, política de Lula e depois de Dilma Rousseff era em alguns pontos radicalmente contrária aos interesses norte-americanos, como na questão do pré-sal e, no plano internacional, do Brics
Comparato

“Evidentemente, vão prosseguir nisso para impedir a candidatura Lula em 2018”, prevê o jurista

São Paulo – A condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, a nove anos e seis meses, não foi nenhuma surpresa. Pelo contrário, devido aos enormes interesses por trás de todo o processo contra o petista, a decisão era mais do que esperada, diz o jurista Fábio Konder Comparato.  “O que acontece é que por trás de todo esse golpe contra a Dilma, e mesmo a partir de 2013, com as tais manifestações em todo o Brasil, há a influência norte-americana.”

Moro condenou o ex-presidente, no âmbito da Lava Jato, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, em decisão ao processo referente ao apartamento tríplex do Guarujá, no litoral sul de São Paulo.

“E, no caso, Lula precisaria ser afastado, porque, para os americanos, o grande perigo era justamente esse: o fato de um operário que assume o poder, eleito pelo povo depois de três derrotas, e governa dois mandatos com apoio de 80% do povo. Ele não poderia ser deixado livre”, acrescenta.

Comparato cita alguns exemplos concretos para ilustrar sua crença de que a política de Lula era em alguns pontos radicalmente contrária aos interesses estadunidenses. Por exemplo, na questão do pré-sal. “Eles se utilizaram de um indivíduo chamado José Serra para conseguir tirar isso da Petrobras. Depois, esse indivíduo tornou-se ministro das Relações Exteriores (do governo Temer), antes de Aloysio Nunes Ferreira, que, como todo radical – pois ele foi chofer do Marighella – saiu da extrema-esquerda para a extrema-direita”, avalia o professor.

Segundo o site WikiLeaks, o ex-ministro das Relações Exteriores José Serra prometeu à petroleira Chevron, em 2009, que, se ele ganhasse as eleições de 2010, o marco de exploração do petróleo seria alterado.

Para Comparato, outra questão que provocou grandes incômodos entre os norte-americanos em relação aos governos petistas, essa no plano internacional, foi a criação do Brics, o bloco formado entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.  “Tudo isso se tornava um perigo para os Estados Unidos. A mesma coisa se viu depois, com a exportação de carne bovina”, observa, em referência ao escândalo da JBS. “O Brasil era o maior exportador de carne bovina.”

O encadeamento de todos esses fatos com a condenação de Lula por Moro, diz o jurista, “mostra que finalmente há uma lógica em toda essa questão: essa lógica não diz respeito absolutamente à manutenção de algum regime moderado, mas simplesmente a volta à obediência total do Brasil aos desígnios norte-americanos”.

Para ele, esses desígnios e objetivos permanecerão ativos durante o processo dos recursos da defesa de Lula nos tribunais superiores nos próximos meses. “Evidentemente, vão prosseguir nisso para impedir a candidatura Lula em 2018.”

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