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Romanelli: ‘China, socialismo de resultados’

 

O deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB), ao relatar viagem que fez recentemente à China, faz um verdadeiro tratado sobre o socialismo de mercado.

Do Blog do Esmael 

“Finalmente descobri um país onde a internet funciona bem – há sinal 4G por todo lugar, e com preço acessível. Comprei um chip chinês que custou o equivalente a 50 reais, que me possibilitou 15 dias de internet ilimitada”, escreve o colunista.

China, socialismo de resultados (final)

“Alguns estrangeiros com barrigas cheias e nada melhor para fazer, se engajam em manter o dedo apontando para nós. Primeiro, a China não exporta revolução; Segundo, não exporta fome e pobreza; E terceiro, não mexe com você. Então o que mais há para dizer?” (Presidente Xi Jinping)

Neste segundo artigo sobre a China, falarei um pouco a respeito das minhas impressões da viagem.

A China é um país absolutamente diferenciado e eu ouso dizer que a República Popular da China, que hoje já é a segunda economia mundial, irá se tornar a primeira. O protagonismo da China já é muito forte na sociedade ocidental e será muito mais intenso nos próximos cinco anos. Só para ter uma ideia, a China tem 1,4 bilhão de habitantes. Daqui a cinco anos, terá construído mais 36 milhões de unidades habitacionais.

E absolutamente impressionante o ritmo das obras. Na província de Jiangxi, onde fiquei, com 44 milhões de habitantes, provavelmente há mais obras de infraestrutura em construção do que no Brasil inteiro. Linhas de metrô, autopistas e obras do gênero, espalhadas por todos os lugares. Cidades sendo renovadas, trem bala, implantação de infraestrutura por todo o país. Num dia de China, viajando 100 km de Xangai a Wuzhen, vi mais guindastes de construção que na minha vida toda.

Reconheçamos que dos sentimentos todos, dos pecados capitais, talvez um dos piores seja o da inveja. E quero dizer que o meu sentimento em relação à China, do ponto de vista do crescimento, é a inveja. Inveja sadia é verdade, de como um povo consegue num prazo de aproximadamente 35 anos mudar completamente a realidade de um país.

Nanchang é a capital da província de Jiangxi. A “cidade vermelha”, como é chamada, foi palco da Revolta de Nanghang, em 1 de agosto de 1927, data que ficou conhecida como a fundação do Exército Vermelho. O nome também se justifica pelas altas temperaturas registradas no verão, que pudemos experimentar com os termômetros chegando a mais de 40 graus, e pela comida apimentada, até para os padrões chineses.

A culinária é um capitulo à parte. Além de muita pimenta, a culinária local usa muitos legumes e verduras, peixes e tofu. Quase não servem pratos frios e para cozinhar utilizam óleo de chá. Há uma profusão de restaurantes com todo tipo de comida, mas ninguém é obrigado a comer grilos ou gafanhotos. Mas há restaurantes onde é possível comer carne de cachorro, assim como há lanchonetes de fast food como Burger King, Pizza Hut e outras, sempre apimentados, é claro.

Os moradores de Nanghang jantam cedo, logo no começo da noite, e a partir das 22 horas a cidade se acalma.

Entre as principais atrações turísticas estão a Estrela de Nanchang, uma roda gigante com 160 metros de diâmetro, e o show das águas no Autumn Water Park. Fiquei muito impressionado com o Greenland Central Plaza, composto por 2 torres de 303 metros de altura, com aproximadamente 70 andares. As torres tem o maior painel de LED do mundo (cerca de 35000m²) e todas as noites há um show de luzes.

Ao lado de toda a tecnologia, como inovação, nos foi apresentado um programa de transporte por meio de bicicletas locadas com o uso de um aplicativo, – há milhares delas espahadas pela China -.

Também me chamou a atenção o fato dos chineses usarem e comprarem muito pela internet, através do Taobao. Pagam pelo Alipay, plataforma de pagamento on line. As pessoas compram e pagam pelo celular, através da leitura de códigos de barras, pratica que ainda e pouco utilizada no Brasil.

Finalmente descobri um país onde a internet funciona bem – há sinal 4G por todo lugar, e com preço acessível. Comprei um chip chinês que custou o equivalente a 50 reais, que me possibilitou 15 dias de internet ilimitada.

Fomos recebidos calorosamente pela Faculdade de Assuntos Estrangeiros de Jianqxi, e Nanchang se tornou nossa casa na China.

Ali pudemos conhecer um pouco mais sobre sistema político, a economia e a sociedade da República Popular da China, o socialismo com características chinesas, como eles fazem questão de frisar, e a importância do conceito de estabilidade.

Digo conceito, pois os chineses trabalham com os seguintes fundamentos para progredir na estabilidade: a política macroeconômica deve ser constante; a taxa de câmbio deve ser estável; ‎ as finanças devem ser estáveis; ‎a provisão (segurança alimentar) deve ser estável; a sociedade deve ser estável.

O desenvolvimento é o princípio para decidir tudo, de manter a confiança pública, de resolver o problema de forma gradual.

É interessante notar o processo de reforma e abertura inaugurado por Deng Xiaoping.

Foi por meio da mudança do modo de produção agrícola que os agricultores começaram a ter lucro com a produção excedente e essa foi a base de sustentação do processo de industrialização e também do Partido Comunista Chinês no poder.

Daí o processo de industrialização na China pós-1978 ser sido um processo essencialmente rural.

O modelo Chinês é do “socialismo de mercado”, o Estado passou a ter papel de empreendedor.
A sensação que fiquei é que há uma socialização de investimentos e não dos meios de produção.

O fundamento da dinâmica da economia chinesa se sustenta em uma centena e meia de conglomerados de empresas estatais, em todas as áreas, e a maioria focada na exportação dos seus excedentes.

Fomos recebidos com muita cordialidade e pudemos aproveitar a culinária, a hospitalidade, a alegria, o respeito e profissionalismo dos organizadores do Seminário sobre Governança.

As economias do Brasil e China, desde a assinatura do acordo na Organização Mundial de Comércio têm evoluído e as nossas relações comerciais só tiveram uma redução devido à crise vivida por Wall Street em 2008. Em relação a isso os chineses adotaram um estratégia chamada de “a nova normalidade”, que foi entender a dinâmica da economia mundial após o crack da bolsa de NY.

O convite para o seminário demonstrou a clara intenção de aproximação entre a província e o Brasil, e, em especial, uma aproximação com todos os estados brasileiros, sendo que em nossa missão foram oito os estados representados.

No discurso que proferi no encerramento do encontro, falando em nome dos estados brasileiros, frisei que mais do que uma parceria feita apenas com papel, de maneira fria e distante, nós acreditamos que uma parceria verdadeira é construída com respeito mútuo, intenções verdadeiras e o coração aberto para compreender e aceitar o outro.

E foi exatamente isso que encontramos na China. A estratégia criada pelo presidente chinês, de criar “ Uma faixa, uma rota”, o fortalecimento do BRICS e a compatibilidade e complementariedade de nossas economias criam oportunidades verdadeiras entre nossas nações.

Sabemos que podemos contribuir com a visão chinesa e que, de igual forma, a China pode ser a parceira ideal para o desenvolvimento do Brasil.

O que conhecemos foi uma China de oportunidades, e de um povo trabalhador, honesto, virtuoso e competente. Uma China que conseguiu um progresso significativo nas últimas décadas, mas sempre pensando no bem estar de seu povo, preocupada com a ordem e organização da sociedade, não permitindo que o caos leve embora todo o esforço de um povo.

E as oportunidades mostram que temos chance de bons negócios, pois as demandas chinesas estão completamente alinhadas com os interesses que temos no Brasil.

Os chineses querem investir no Brasil, seja em infraestrutura, commodities, agroindústria, parcerias ou joint-ventures, tudo que nos foi apresentado mostrou o interesse real em produzir riqueza, enquanto parceiros, em uma situação de ganha-ganha, que beneficiará a China e o Brasil da mesma forma.

Na minha fala, fiz questão de salientar que a transparência e a responsabilidade se unem ao respeito e formam os pilares sobre os quais nós construímos nossa relação.

Após a excelente experiência do Seminário, fiquei com a convicção que a relação entre Brasil e China será cada vez mais frutífera.

A celebração de um Termo de Cooperação da Província de Jiangxi, com o Banco da China, perante mais de 100 empresas, a maioria estatais, demonstrou o interesse do governo chinês em criar um canal real de aproximação com o Brasil para viabilização de cooperações em diversas áreas de investimento, em áreas estratégicas para todos os estados presentes.

Acredito que a estratégia ‘Uma Faixa, Uma Rota’ (que é recriação da Rota da Seda) proporcionará ao mundo um caminho de cooperação e de benefício mútuo na promoção do desenvolvimento comum, sob uma nova liderança.

Xie Xie, China. Boa Semana, Paz e Bem

*Luiz Cláudio Romanelli, advogado e especialista em gestão urbana, ex-secretário da Habitação, ex-presidente da Cohapar, e ex-secretário do Trabalho, é deputado pelo PSB e líder do governo na Assembleia Legislativa do Paraná. Escreve às segundas-feiras sobre política e poder.

 

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