intervenção militar/Segurança

Maconha Legalizada teria evitado a cegueira nacional sobre a Segurança Pública e a intervenção no RJ

Maconha intervenção

Vários Soldados, um casal e…um pé de Maconha apreendidos – (Foto de http://www.smokebuddies.com.br/intervencao-militar-e-maconha/)

Exército não tem nada a ver com Segurança Pública. Mas as imagens distribuídas pela mídia provocam a sensação de segurança. É mesmo? E o que dizer da foto acima? Ela me parece simbólica. Nem importa se é desta ou de todas as outras intervenções militares já havidas nos morros, e houve muitas, todas com o mesmo objetivo: “combater o tráfico”. Mas o que há de fato nos morros, onde moram as populações pobres? A foto é simbólica. O tráfico de drogas pesadas requer grandes e caras estruturas de produção, refino, distribuição, etc…Para isto é preciso dinheiro e…fazendas, helicópteros, aviões, caminhões e não mochilas de crianças indo para escolas ou casebres de favelas e vilas pobres. Não há notícia, por exemplo, de que o dono do helicóptero que carregava 500 Kg de Cocaína tenha sido sequer admoestado. Aliás, a PF não disse até agora de quem eram aqueles 500 Kg de pó. Assim como não localiza quem produz as grandes quantidades. Atacam o varejo. E no varejo trabalham os pobres. E são os pobres que não tem dinheiro para pagar advogados que abarrotam as cadeias. 40% destes presos são provisórios e nem deveriam estar lá. Muitos são jovens com pouco mais de 18 anos. Ao serem presos são encaminhados a presídios, que em sua maioria estão sob controle absoluto das facções do Crime Organizado. O Senso Comum, provocado pelos grandes meios de comunicação, vibra e se regozija. Mas o jovem que entra lá não é o dono nm o produtor das drogas pesadas e muito menos tem dinheiro para comprar lotes inteiros de fuzis, metralhadora, submetralhadoras e outras armas sofisticadas. No entanto, ao entrar no presídio será “convidado” a entrar numa facção. E esta lhe proverá destas armas, que só dinheiro grosso que o povo não tem, pode comprar.  O verdadeiro produtor, que tem helicópteros, aviões, fazendas e compra os Soldados das forças armadas pra traficar as armas pesadas, este comanda. Vários países do mundo já se deram conta, de que descriminalizar e legalizar o uso de drogas menos pesadas como a Maconha por exemplo, reduzem em muito as prisões desnecessárias de jovens, reduzindo assim a pressão sobre o Sistema Prisional. Mas muito mais do que isto, a legalização do que existe, e no entanto é tráfico e banca um mundo e um mercado paralelo, permitiria ao Estado arrecadar tributos que poderiam ajudar na solução de sequelas provocadas pelo uso de drogas legalizadas como a maconha. Os tributos cobrados sobre cigarros por exemplo, é altíssimo. Assim também o é, ou deveria ser, o tributo sobre as bebidas alcoólicas. E são drogas. Aliás, todos os dias a mídia mostra acidentes terríveis provocados por condutores de veículos alcoolizados. Mas nunca ouvi falar de um acidente sequer provocado por alguém que tenha consumido maconha. Quando o senso comum da sociedade apóia uma barbaridade como esta Intervenção Militar no RJ, esta na verdade dizendo que ninguém lhe apresenta outra alternativa sobre o tema da segurança, cuidadosamente amarrada pela grande mídia ao tráfico, que nunca é ligado pela mesma grande mídia com os helicópteros, aviões e fazendas e muito menos aos donos destes. Já a esquerda do espectro político, aquela que poderia e deveria apresentar as alternativas, incluindo esta das descriminalização e legalização de drogas como a maconha, se perde no imediatismo eleitoral em meio a onda moralista provocada justamente pela falta de apresentação convincente de alternativas. Mas alternativas que só pensem no curto prazo podem ser até alvissareiras no começo, mas depois podem e até vão se tornar trágicas. Ou alguém tem dúvida da razões pelas quais os militares chamam esta experiência do RJ de “laboratório”?

No Uruguai, pacientemente o Presidente Mujica introduziu a discussão. Levou tempo, mas aconteceu. Até nos EUA, “meca” dos moralistas brasileiros, a Maconha já é legalizada em vários Estados , é fiscalizada e arrecada tributos substantivos. 

Já aqui no Brasil, a resposta dos políticos e gestores estatais,  parece ser o caminho fácil de abrir mais presídios e colocar polícia na rua. Ou quando a polícia já não dá mais conta de combater uma violência que não vem das drogas em si, mas da boca do cano de um fuzil mais sofisticado que os das forças armadas, ai as chamam para intervir. As mesmas forças armadas que deveriam estar nas fronteiras evitando justamente que estes fuzis entrem no país, que são muitas vezes as condutoras dos caminhões que as transportam.

Acorda Brasil! Acorda Esquerda. Temos que pensar nas eleições sim. Estas são meio, mas o fim é uma sociedade mais justa, digna e igualitária. E esta não se constrói ganhando eleições, mas ganhando corações e mentes. E corações e mentes só são ganhos pelo acender da consciência individual e coletiva.

Aliás, para a turma moralista, vai link do Data Folha de Janeiro:  Cresce apoio à legalização da maconha no Brasil – Datafolha – Uol

Lê mais sobre o assunto clicando nos links a seguir:

Uruguai: após regulação da maconha, mortes por tráfico chegam a zero

Dois Minutos de Prosa sobre a Segurança Pública no RS e sobre Drogas

O tráfico e o filho da desembargadora: por que só os pobres ficam na cadeia?

O caso do “helipóptero” volta a tona com prisão de dono de Fazenda no ES

Sobre o pó…A matéria da Revista Época colocou uma pulga atrás da orelha

Por que sou Contra a Redução da Maioridade Penal

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