
A declaração do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, afirmando que cogita ordenar a prisão do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, com base no mandado do Tribunal Penal Internacional (TPI), é o reflexo mais nítido dessa transformação.
O gesto político do prefeito rasga o véu da complacência ocidental diante do massacre de civis na Palestina e expõe as fraturas do apoio incondicional a Israel.
O Fim da Normalização da Barbárie em Gaza
A posição de Mamdani responde diretamente à indignação global com as táticas brutais de Netanyahu. O que Tel Aviv chama de “direito de defesa” é na verdade genocídio e destruição. Bairros destruídos, hospitais sob escombros e o uso deliberado da fome como arma demonstram e são prova do genocídio em andamento.
Ao sugerir que o premiê deveria ir para o banco dos réus em vez de discursar na ONU, Nova York sinaliza que o sangue palestino não pode mais ser tratado como um dano colateral aceitável.
A Parceria Netanyahu-Trump: O Pacto da Impunidade
Se Netanyahu desafia abertamente o direito internacional, é porque conta com uma poderosa rede de proteção da extrema-direita global, simbolizada por sua aliança com Donald Trump. Essa parceria vai além da geopolítica tradicional: é um pacto ideológico de conveniência.
Para Trump, a blindagem a Israel serve para alimentar sua base mais radical e garantir apoio financeiro de campanha.
Para Netanyahu, a sombra de Trump funciona como um salvo-conduto para avançar na política de terra arrasada na Palestina, confiante de que a ala trumpista sabotará qualquer tentativa de sanção ou responsabilização internacional.
O Avanço da Esquerda Democrata e a Nova Face dos EUA
A postura de Zohran Mamdani não é um fato isolado, mas a expressão de uma mudança que acontece no cenário político americano.
O avanço da ala progressista e da esquerda do Partido Democrata (os Democratic Socialists of America e o bloco da “bancada progressista”) está redefinindo o debate público nos EUA.
Historicamente, o apoio de Republicanos e Democrats a Israel era inabalável em Washington. Hoje, figuras como Mamdani, sintonizadas com os movimentos de base e com a juventude nas universidades, refletem um eleitorado americano que se recusa a financiar massacres com dinheiro público.
“Não quero que nossa cidade seja cúmplice desse tipo de decisão. Não quero que indivíduos procurados por crimes internacionais sintam que são bem-vindos aqui.” — Zohran Mamdani, Prefeito de Nova York.
A ameaça de prisão feita pelo prefeito de Nova York prova que a blindagem histórica de Israel nos EUA começou a ruir por dentro.
Netanyahu pode até evitar as algemas em solo americano graças à burocracia diplomática, mas politicamente e moralmente, o cerco da nova política americana já começou a se fechar.
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Se nenhum movimento for feito, os EUA poderá se tornar uma nova Alemanha dos anos 1930 e colocar o planeta em risco eminente de autodestruição. Trump faz movimentos muito parecidos com o que foi feito por aqui nos quatro anos do Bolsonaro, com repetidas tentativas de desacreditar o processo eleitoral e minar a justiça.
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Pois então. Mas mais do que de fora, esta resistência interna é fundamental. Mandami mira as eleições de meio de mandato. Se seguir firme, ajuda a esquerda do democrats a eleger mais deputados e suplantar os republicanos no congresso.
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