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Como a religião e a política se misturaram na periferia e chegaram ao poder de Brasília

A cientista social Eloá Kátia Coelho (PUCRS/ILAH2) assina artigo científico trazendo uma radiografia de como o movimento neopentecostal se transformou em uma das maiores forças de poder político do país.

Essa reconfiguração do cenário nacional não aconteceu da noite para o dia, mas sim por meio de um trabalho de formiguinha, silencioso e estratégico, que começou ocupando as frestas onde o Estado historicamente não chega, segundo Eloá.

A ocupação dos “vazios” da periferia

Sabe aquele galpão que estava abandonado na comunidade, a garagem que virou igreja sem precisar de burocracia ou o trabalho que o Estado nunca fez dentro dos presídios?

Pois é. O artigo explica como a flexibilidade dessas igrejas e o apoio nos momentos mais difíceis — na privação absoluta, na segurança da comunidade e no apoio às famílias — geraram um laço de gratidão e confiança gigantesco com a população.

Enquanto a burocracia estatal falhava em entregar saneamento, saúde e segurança básicos (o que a autora chama de Geografia da Escassez), o movimento neopentecostal ocupava esses espaços.

E não parou por aí: a estratégia passou pela eleição em massa para os Conselhos Tutelares, pela gestão de projetos sociais com verba pública (via OSCs) e pelo domínio da radiodifusão e das redes sociais.

Da comunidade ao Orçamento da União

Essa base forte nas ruas virou o famoso voto “irmão vota em irmão”. Resultado? A criação da “Bancada da Bíblia” no Congresso.

O estudo faz um alerta essencial sobre como o orçamento público passou a ser usado: em vez de destinar emendas parlamentares para grandes obras estruturais que resolveriam de vez os problemas da periferia (como saneamento ou escolas em tempo integral), os recursos muitas vezes são pulverizados para manter a própria rede de apoio funcionando.

É um ciclo: a escassez continua, a igreja presta o socorro na ponta e o apoio político-eleitoral se renova.

A guerra de narrativas e o cenário de 2026

O artigo fecha analisando os episódios mais recentes desse embate, mostrando como o projeto da chamada Teologia do Domínio — a ideia de ocupar todas as instâncias da sociedade e do governo — passou a usar táticas sofisticadas. Desde o uso do “dog whistling” (aquelas falas com códigos que parecem inofensivos para a maioria, mas que o eleitorado fiel entende perfeitamente) até disputas cibernéticas e guerras de informação envolvendo a CNBB e os grandes meios de comunicação.

Para além de concordar ou discordar, o trabalho da Eloá Kátia Coelho ajuda a entender que a laicidade do Estado e a política brasileira não são coisas abstratas.

Elas são construídas no dia a dia, no bairro, no orçamento público e na comunicação.

Vale muito a pena conferir a análise na íntegra para entender os bastidores dessa reconfiguração do nosso país.

👇Clique no Link a seguir para ler ou baixar o PDF completo do artigo científico

A Microfísica da Capilarização Neopentecostal e a Reconfiguração
do Campo Político-Religioso Brasileiro: Da Ocupação de Base ao
“Dog Whistling” Institucional (2007–2026)


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