Cultura/Porto Alegre

O pé-sujo mais alternativo da cidade

Reblogado da RUA DA MARGEM

À MARGEM DA MODA, O BAMBU’S RESISTE COMO UM BAR POPULAR DE PERSONALIDADE ÚNICA E INTRANSFERÍVEL

Bambus

Um dos mais antigos e queridos redutos boêmios de Porto Alegre, o Bambu’s está outra vez em alta.

Um novo ciclo se inaugura e a calçada em frente ao número 394 da Avenida Independência está de novo abarrotada de gente.

Com as portas abertas desde 1976, o bar frequentado nas duas últimas décadas principalmente por roqueiros e fãs de bandas de rock passou por altos e baixos.

No auge do movimento, a aglomeração de duas mil a três mil pessoas (quem contou ao certo?) fechava a pista da avenida e ainda transbordava pelas ruas laterais.

Em compensação, houve época em que só os clientes fiéis batiam ponto.

Não é de se estranhar – boêmios são volúveis e sujeitos a paixões efêmeras. Mas, quase sempre, retornam aos locais que os acolhem com lisura e simplicidade.

Afinal, nesses lugares, a ilusão de uma vida intensa e vibrante, repleta de sonhos ao alcance da mão, atravessa a madrugada.

 Sid, o dono do Bambu's: atendimento sem discriminação (Foto/Amanda Leal)

Sid, o dono do Bambu’s: atendimento sem discriminação (Foto/Amanda Leal)

O Bambu’s é um dos poucos bares da cidade autorizado a operar dia e noite – como o Nosso Bar, na subida da Coronel Vicente, e o Alfredo, na Cristóvão Colombo, para citar outros dois pontos tradicionais.

De acordo com o movimento, o expediente se estende até as cinco ou as seis da madrugada, principalmente às sextas-feiras e aos sábados.

Num mosaico de perfis característicos de autênticos pés-sujos, como são carinhosamente chamados os bares populares, o público mistura jovens (e já não tão jovens) músicos, poetas, cineastas e atores de teatro com advogados, garis, médicos, guardadores de automóveis, jornalistas, pedreiros e servidores públicos, entre outros.

Todos são atendidos do mesmo jeito:

– Desde que me respeite, eu respeito o dobro, diz o proprietário Sidnei Fiori, o Sid, de 61 anos, como se repetisse um mantra.

Sid é de Nova Prata, onde os pais – Onorino e Zaira – ganhavam a vida com uma enxada nas mãos.

Em Porto Alegre, Onorino abriu um minimercado na Tristeza, antes de fundar o Bambu’s.

Sob o comando do patriarca, Zaira pilotava a cozinha do bar e restaurante, ao passo que Sid e a irmã Cerenita, a Nita, se revezavam no caixa e no atendimento junto ao balcão.

Ainda hoje, o Bambu’s é um bar familiar.

A esposa de Sid, Ana – a Tia Ana, como é conhecida entre os clientes –, está sempre ao lado do marido na lida. Thiago, o filho mais velho do casal, também ajuda. Já William, o caçula, não tem vocação para o negócio.

ROQUEIROS NO PENDURA

Bandas de rock como Bidê ou Balde, Pata de Elefante e Identidade, entre tantas outras, se criaram dentro do Bambu’s.

De todas, a Cachorro Grande talvez seja a mais próxima de Sid e Ana.

Tanto que, há duas semanas, o vocalista Beto Bruno e o guitarrista Marcelo Gross fizeram uma visita afetiva ao Bambu’s, em meio a uma rápida temporada em Porto Alegre (atualmente, a Cachorro Grande reside em São Paulo).

Abaixo, veja as fotos que Marcelo produziu para registrar o encontro – na primeira imagem, Ana aparece junto a Sid e Beto; na outra, os roqueiros posam ao lado do dono do Bambu’s.

No final da década de 1990, o baterista Gabriel Azambuja alugou um casarão quase em frente ao Bambu’s para os ensaios da banda.

Época de vacas magérrimas para os roqueiros em início de carreira.

– Ninguém conhecia a gente. Além disso, tínhamos a mania de imitar o The Who e quebrar tudo no palco durante os shows, por isso, os proprietários de bar não faziam questão de nos contratar, conta Marcelo Gross.

A casa ganhou o nome de Fun House, referência ao disco da banda The Stooges, de Iggy Pop, ícone da cultura do rock.

Para arranjar alguns trocados, os músicos promoviam festas – tocavam ao vivo ou se faziam de DJs, vendiam bebidas e cobravam ingressos.

No dia seguinte, ainda de ressaca, atravessavam a rua para recuperar energias.

– O Sid e a Ana anotavam pasteis e X-Coração numa caderneta, fora as cervejas, para que pagássemos quando pudéssemos, relembra o guitarrista.

Com o sucesso do primeiro disco, em 2001, não foi mais preciso pendurar a conta, mas as bases da relação de amizade, carinho e confiança com os proprietários do Bambu’s já estavam lançadas.

– Com o tempo, a convivência vai se transformando em amizade, constata Sid.

A Cachorro Grande soube retribuir a generosidade de Sid e Ana.

O segundo videoclipe da banda, Por Debaixo do Chapéu, começa dentro do Bambu’s, com Sid enxotando os músicos.

– Quem vai pagar essa conta aqui?, indaga o dono do bar, no papel dele próprio, enquanto os rapazes saem de fininho.

O clipe ganhou espaço na tela da MTV e de outros canais televisivos, ampliando a popularidade da banda e, por tabela, do pé-sujo da Independência.

No afã de saber em que bar a Cachorro Grande entornava copos, boa parte dos fãs da banda passou a frequentar o boteco.

RASGO NO MINDINHO

 Cena do filme de animação  A Cidade dos Piratas , de Otto Guerra, em que ele próprio aparece em bar inspirado no Bambu's (imagem cedida por Otto Desenhos Animados)

Cena do filme de animação A Cidade dos Piratas, de Otto Guerra, em que ele próprio aparece em bar inspirado no Bambu’s (imagem cedida por Otto Desenhos Animados)

A fama de bar cult não se apaga.

O videoclipe da música Zero a Zero, da banda Cartolas, lançado em 2017, mostra cenas gravadas na calçada em frente.

O Bambu’s vai aparecer também em A Cidade dos Piratas, filme de animação de Otto Guerra baseado na vida e na obra do cartunista Laerte Coutinho, que se encontra em fase de finalização.

Otto é outro cliente que faz parte do círculo de amizades de Sid e Ana. Ele já nem recorda a primeira vez que colocou os pés no Bambu’s.

– Está aí uma coisa que se perdeu no tempo, diz.

Mas se lembra com nitidez da imagem do pai de Sid – falecido em 2005 – ao lado de um senhor de idade, ambos sentados junto à curva do fundo do balcão, perto dos banheiros.

Por causa dos cabelos grisalhos, iguais aos do cantor Lulu Santos, Renan – o amigo de Onorino –, ganhou o apelido de Lulu, dado pela galera que frequentava o bar.

Esquelético, Lulu – ou Renan – caminhava num passo curtinho e arrastado, com um imenso chaveiro pendurado no lado de fora das calças.

– Era mais assíduo do que eu. Tanto que tinha direito a uma camisinha de cerveja personalizada com o nome dele, anota Otto.

Não faz muito, Renan deixou de frequentar o Bambu’s por questão de saúde.

Ainda mora nas redondezas e, de vez em quando, passeia pela calçada oposta da Avenida Independência, numa cadeira de rodas, acompanhado de uma cuidadora.

De lá, envia um abano para Sid e Ana, como se dissesse que, de algum modo, ainda faz parte da rotina do bar.

O Bambu’s é fonte de cenas e personagens que bem poderiam ter saído de um filme de David Lynch.

Otto exemplifica com uma frequentadora que sofria de nanismo e, quando bebia, ficava bastante alterada. Numa noite, ela subiu numa das mesas para esbofetear um sujeito que a importunava.

Prontamente, foi expulsa do bar pelo proprietário. Afinal, as regras precisam ser cumpridas, doa a quem doer.

A bibliotecária Joana Alencastro – amiga de Otto e de Sid – é protagonista de outra história tragicômica.

Certa vez, Sid puxou o facão que guarda sob o balcão para situações extraordinárias – para quem não sabe, tem ainda uma maquininha de choque e um taco de beisebol para espantar desordeiros.

Aquele momento, porém, era de descontração. Sid mostrava o facão para clientes curiosos quando Joana, estabanada, gesticulou em direção à arma afiada e rasgou a ponta do mindinho.

Num instante, a mesa se encharcou de vermelho, ao mesmo tempo em que o rosto de Sid empalidecia ao perceber que havia ferido, sem querer, a amiga.

Depois de ir até o HPS para costurar dois pontos no dedo mínimo, Joana retornou ao bar disposta a obter uma compensação por conta do estrago:

– Exijo uma rodada de graça!

Sid prontamente liberou a bebida.

VIA SACRA ETÍLICA

 Garagem Hermética, nos bons tempos: da esq. para a dir.: Marco Butcher, Vanessa Watkins, Marcelo Bueno, Eduardo Normann e Mariana Kircher, com Luciano Menezes (de pé); na fila debaixo, Tisko, Paola Oliveira e Flávio Basso, o Júpiter Maçã (Foto/ Marco William Farinon)

Garagem Hermética, nos bons tempos: da esq. para a dir.: Marco Butcher, Vanessa Watkins, Marcelo Bueno, Eduardo Normann e Mariana Kircher, com Luciano Menezes (de pé); na fila debaixo, Tisko, Paola Oliveira e Flávio Basso, o Júpiter Maçã (Foto/ Marco William Farinon)

O fio dessa meada começa bem antes.

O guitarrista Roberto Nickhorn adentrou o Bambu’s pela primeira vez em 1984.

Parou ali com um amigo para tomar uma gelada antes de subir a avenida em direção à B52, boate plantada quase na esquina da Independência com a Ramiro Barcelos.

Ele lembra que, naquela época, o balcão do Bambu’s estava em posição invertida – à direita de quem entra – em relação à que ocupa hoje.

– Não havia quase jovens, só uns tios tomando cerveja. Hoje, eu sou o tio que bebe cerveja, diverte-se ele.

 A esquina a meio caminho entre o Bambu's e o Garagem Hermética (Foto/Marcelo Gross)

A esquina a meio caminho entre o Bambu’s e o Garagem Hermética (Foto/Marcelo Gross)

No início dos anos 1990, quase toda a noite Roberto e seus amigos cumpriam uma via sacra, que começava num boteco com mesas ao ar livre no cruzamento da Rua Vasco da Gama com a João Telles.

– Encontrava ali desde a Eliane Steinmetz (atriz que protagonizava o show Viva a Gorda!) até os caras de bandas como Replicantes e De Falla.

A próxima parada era o Elo Perdido, na Garibaldi, ou o Bananas, na Barros Cassal, em frente à sinagoga da União Israelita Porto Alegrense.

– A certa altura da noite, subíamos até o Bambu’s e depois morríamos no Garagem Hermética, onde os shows começavam só depois da uma hora da manhã.

A bem da verdade, a história do Bambu’s se entrelaça com a do Garagem Hermética, santuário do rock e da cultura alternativa da capital gaúcha na década de 1990.

A trajetória do Garagem Hermética, localizado na Rua Barros Cassal, um pouquinho abaixo da esquina com a Independência, está contada no livro A Fantástica Fábrica, publicado em 2014 pelo jornalista Leo Felipe.

Em 1992, ele fundou a casa com o músico Ricardo Kudla.

– Na época em que abrimos o Garagem, o Bambu’s era apenas mais um dos botecos do tipo pé-sujo que havia na cidade, assegura Leo.

De carona, o Bambu’s recebia grande parte do público do estabelecimento vizinho. Não bastasse a cerveja mais em conta, o boteco de Sid tinha utilidade em casos de emergência. A cantora Adriana Deffenti, por exemplo, deixava o RG nas mãos do porteiro do Garagem Hermética para dar uma escapada até o banheiro do bar da Independência, bem menos concorrido.

Já Leo Felipe não tinha o costume de comparecer ao Bambu’s.

– Até porque ia encontrar um monte de gente pedindo para entrar de graça no Garagem, explica.

Abria exceções, é verdade. Uma delas tinha a ver com um distribuidor “meio trambiqueiro”, que vendia lotes vencidos de Norteña.

– Aquela cerveja dava uma dor de barriga danada, mas nós vendíamos no Garagem mesmo assim. Só que eu, antes de abrir o bar, ia até o Bambu’s e comprava umas Brahmas para consumo próprio durante a noite de trabalho.

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RÉGUA E COMPASSO

Conforme o tempo escorria em direção ao novo século, o circuito boêmio que alimentava o Bambu’s se expandia cada vez mais.

A vida noturna entre o Bom Fim (com uma boemia já em fase agonizante) e a Independência se agitava em danceterias como o Beco e o Cabaret.

No quesito sexo, drogas e rock’n’roll, só a Fun House rivalizava com o Garagem Hermética. Mas rolavam festas também numa profusão de casas – a Casa Frasca, a Casa Amarela, a Casa Rosa, recorda o artista visual Fábio Alt, que dirigiu o clipe da canção Zero a Zero, da Cartolas.

– Eu e meus amigos dávamos gorjetas aos porteiros para conseguir descontos nos ingressos. Desse jeito, íamos a várias festas numa só noite, conta Fábio.

Da Cidade Baixa, lá pelas tantas, chegava um comboio vindo do Dr. Jekyll, pub que mantinha uma programação de shows com bandas de rock de segunda a quinta-feira.

– O Bambu’s era o ponto de encontro para antes ou depois de festas e shows, complementa Mari Martinez, vocalista da banda The Soulmates e sócia da produtora Marquise 51.

 

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“O Bambu’s é um programa tipicamente porto-alegrense, com aquela atmosfera de se estar entre conhecidos, por mais que a gente não conheça, de fato, quem esteja ali.”

Nico Selas, jornalista que frequenta o bar desde 2011

Clara Corleone, hoje hostess do bar Ocidente e coordenadora de relacionamentos da Rede Minha Porto Alegre, além de atriz – no momento, ensaia uma peça de Edward Albee, A Praga, com direção de Zé Adão Barbosa – não recorda de outro bar no qual ela se deparasse com tantos conhecidos.

– Lá encontrava o cara com quem eu estava ficando, o que eu queria ficar, a melhor amiga, a pessoa que não gostava e a outra que ainda ia conhecer, resume ela.

Irmã de Joana Alencastro, Clara fez do Bambu’s seu primeiro emprego.

– O Bambu’s me deu régua e compasso.

Numa quinta-feira abafada de 2008, quando ainda morava com os pais e estudava teatro na UFRGS, ela intimou o dono do bar:

– Começo a trabalhar amanhã.

– Chega às sete da noite, respondeu Sid, sem levar muito a sério.

Na sexta, ela se apresentou no horário combinado e trabalhou até as cinco da matina. Após três meses, com sete horas diárias de labuta, de segunda a sábado, as calças da menina escorregavam de tão magricela que estava.

Naquele período, para protegê-la, Sid inventou que a garçonete era filha dele.

Ainda assim, certa noite, um bêbado agarrou à força a menina pelo braço, enquanto ela distribuía garrafas e copos sobre a mesa.

– Se não largar a moça agora, eu te mato, disse um cliente taciturno, que sentava toda a noite junto ao balcão, sem proferir uma palavra.

Foi a primeira vez que Clara ouviu a voz daquele homem – por sinal, em boa hora.

Fez-se silêncio no bar.

Constrangido, o agressor saiu porta afora para nunca mais voltar.

PUNKS E SKINHEADS

 Ocupa Bambu's, em 2012: frequentadores protestam contra a interdição do bar

Ocupa Bambu’s, em 2012: frequentadores protestam contra a interdição do bar

Em casos mais amenos, a estratégia de Sid para não se incomodar com bêbados é se fingir de surdo.

– Quando falam bobagem, entra por um ouvido e sai pelo outro.

Mas, se a pessoa ultrapassa o limite do respeito, a coisa muda de figura.

Outra vez, um freguês insistia em tocar violão no recinto, desafiando o alvará do bar, que não dá autorização para isso. Convidado a se retirar, reagiu com insolência:

– Quero ver quem vai me tirar daqui.

Sid conta que pegou o desaforado pelos fundilhos e jogou o rapaz na calçada com violão e tudo.

– Sou do tipo que dá um boi para não entrar numa briga e uma boiada para não sair, afirma ele, enunciando o ditado de origem portuguesa.

A rigor, a paz só foi ameaçada pela invasão de skinheads dispostos a guerrear com os punks, eternos inimigos. Ainda assim, as escaramuças se davam no lado de fora.

– Aqui dentro tanto uns como outros respeitavam o ambiente do bar, diz Sid, com neutralidade suíça.

Mas ele está consciente de que não pode ser unanimidade.

– Não se pode agradar gregos e troianos, profetiza.

Alguns vizinhos, por exemplo, já exerceram pressão junto aos órgãos de fiscalização da prefeitura para fechar o Bambu’s.

– O que eles querem? Acabar com a vida noturna e voltar à Idade da Pedra?, revolta-se Sid.

No começo da década de 2010, a fiscalização apertou o cerco sobre o Bambu’s nas noites de quinta-feira a sábado. A rapaziada passou, então, a lotar a calçada em frente ao bar no primeiro dia útil da semana. Num gesto espontâneo, o público batizou a jornada de Segunda Sem Lei.

Sob a alegação de que a algazarra estava fora de controle, a prefeitura determinou a interdição da bodega, em julho de 2012.

De pronto, milhares de jovens convocaram pelo Facebook um protesto a ser realizado em frente ao bar. O evento denominado Ocupa Bambu’s pedia que as pessoas levassem caixas de isopor, bebidas e “a alegria de viver para mostrar que Porto Alegre ainda pulsa”.

Uma semana depois, o Bambu’s reabriu.

Sid elogia o exemplo da Lapa, no Rio de Janeiro, bairro que interrompe o trânsito de automóveis para abrir passagem ao público que frequenta os botequins. Com isso, raciocina ele, a cidade incrementa o turismo e gera emprego e renda para a população.

Argumenta ainda que os bares de portas abertas representam um fator de segurança para os moradores da região.

– Tanto é verdade que, domingo à noite, quando estamos fechados, isso aqui vira um deserto, expõe Sid, abrindo os braços em direção à Avenida Independência.

 

 Parede do banheiro do Bambu's 

Parede do banheiro do Bambu’s

O circuito que antes reluzia ao redor do Bambu’s já não existe.

Ainda assim, o pé-sujo continua atraindo gente noite adentro, como uma ilha de luz cercada de silêncio e escuridão.

– É curioso como um boteco tão distante de outros bares consegue sobreviver como um ponto de encontro popular, diz a atriz Aline Szpakowski.

A roqueira Mari Martinez enfatiza que o bar soube se renovar, com a chegada de novas gerações.

Antes, ela saía do Bambu’s às seis da manhã. Hoje, dá uma passadinha por volta das seis da tarde – a inversão de horário se deve muito aos cuidados com Rosa, a filha de três anos de idade, que daqui a alguns anos talvez também marque presença por aquelas bandas.

Léo Felipe observa que, em fases anteriores, a maioria do público era composta por garotos – as meninas pareciam ter uma participação mais acessória, diz ele.

– Eu acho bem massa ver hoje um monte de gurias com visual entre o hippie e o punk, empoderadas, autossuficientes, sentadas em grupo nas cadeiras de plástico, com as bikes presas no poste. É uma mudança bem significativa na cena, assinala ele.

Otto Guerra, às vezes, se pergunta como um bar frequentado por gerações de outsiders por excelência, com as quais ele se identifica, consegue perdurar por tanto tempo. Ele próprio se arrisca a dar uma resposta:

– Talvez porque esse mundo subterrâneo, à margem da moda, persista apesar das adversidades, e com ele resista o Bambu’s, como um pé-sujo de personalidade única e intransferível.

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